MINHA VISÃO SOBRE A REVOLUÇÃO FARROUPILHA. (1835 a 1845)




Como toda a guerra ou revolta advém da parte mais estúpida da natureza humana hoje resolvi partilhar uma visão sobre uma revolta que ocorreu na minha terra o Rio Grande do Sul.
Enquanto os outros estados do Brasil trabalhavam para a exportação cultivando café e cana de açúcar, além dos minérios explorados em Minas Gerais, o Rio Grande do Sul tinha gado e quase toda a totalidade de seu território era tomado por Charqueadas.
O charque produzido era vendido para o resto do Brasil a fim de alimentar os escravos que trabalhavam de sol a sol, no cultivo da lavoura e na mineração do ouro, pedras preciosas e ferro.
Alguns fatos ocorreram para que a insurreição acontecesse; primeiro o charque produzido no Rio Grande do Sul era taxado com pesados impostos pelo governo imperial e ficava muito caro para ser comprado pelas outras províncias em consequência disto o charque vindo do Uruguai e da Argentina era de preço mais acessível e fazia concorrência com a produção gaúcha o que desagrava os charqueiros.
Na face da política havia também conflito entre os estancieiros “Coronéis de Fazendas” e o governo imperial que se agravou com a fundação da SOCIEDADE MILITAR no Rio de Janeiro.
Para piorar a instabilidade política na província em 1833 o Conde de Rio Pardo chega a Porto Alegre e cria uma filial da SOCIEDADE MILITAR o que fez com que José Mariano Matos e João Manoel de Lima e Silva (tio de Luiz Alves de Lima e Silva) criassem uma revolta popular que logo foi abafada e seus lideres foram presos.
Ao mesmo tempo literatura republicana era introduzida pela Maçonaria sulista e Bento Gonçalves da Silva usando o codinome de “Sucre” organizou varias lojas maçônicas por todo o território gaúcho.
Imaginem a sociedade daquela época a qual era constituída de uma pequena quantidade de ricos que detinha os empregos sem direitos trabalhistas e a comida, pobres, escravos e uma pequena parcela de povo e se escorava na amizade dos “Coronéis de Fazendas” a qual poderia levar o no de “Classe Social dos Amigos”. Sendo assim terreno era fértil para uma revolução com uma grande massa humana disponível para ser comandada e mandada para a morte.
E foi o que aconteceu em 20 de setembro de 1835, Porto Alegre foi tomada e o presidente provincial Antonio Rodrigues Fernandes Braga foi destituído do cargo. Em 25 de setembro Bento Gonçalves da Silva pede ao Padre Diogo Feijó novo presidente para a província.
É nomeado Araujo Ribeiro que toma posse após uma grande confusão e reorganiza o exército com os militares contrários aos farroupilhas entre eles Manoel Luiz Osório e Manoel Marques de Souza aos quais se juntaram mercenários vindos do Uruguai.
Os revoltosos prendem alguns dos militares leais ao império. Em abril de 1836 o comandante de armas farroupilha João Manoel de Lima e Silva prendeu o major Manoel Marques de Souza o qual foi levado junto com os outros prisioneiros para o navio-prisão Presiganga.
Na noite de 16 de junho de 1836 com a ajuda de um “GUARDA CORRUPTO” os prisioneiros são libertados e sobe o comando de Marques de Souza com a ajuda de Bento Manoel os imperiais retomam a cidade de Porto Alegre e o controle do porto que era a grande cobiça de todos, pois era o único porto da então província o qual ligava a província ao resto do Brasil.
Bento Gonçalves da Silva dias depois tenta retomar a capital, mas foi rechaçado e sitia a cidade com tropas.
Sem Porto Alegre e um grande porto a “República Farroupilha”, vira uma república de capitais itinerantes, sendo assim várias cidades foram capitais farroupilhas neste período. Batalhas foram travadas nos territórios da província dominados pelo exército imperial, os farrapos faziam algumas conquistas de território, mas nunca mais teriam Porto Alegre.
Em outubro de 1836 com a proclamação da Republica Rio Grandense e a declaração de independência Bento Gonçalves da Silva sai da lomba de Tarumã e tenta cruzar o rio Jacuí para se juntar as tropas de Domingos Crescêncio, mas foi detido pela Marinha Imperial.
Bento Gonçalves da Silva foi levado para a prisão no Rio de Janeiro e em março de 1837 tenta escapar da prisão, mas desiste em solidariedade a Pedro Boticário que não passa na janela da prisão por ser gordo demais. Após esta tentativa de fuga é transferido para o Forte do Mar na Bahia e em setembro de 1837 dias antes de ter início da Sabinada consegue fugir com o auxilio da Maçonaria e volta ao Rio Grande do Sul usando o território argentino.
Finalmente depois de tantas escaramuças e confusões em março de 1845 é assinado o tratado de Poncho Verde, ou seja, a rendição dos farrapos, havia se passado 10 anos de destruição e morte na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.  
Vocês notaram que não falo de batalhas, de heróis farroupilhas, dos feitos dos comandantes, resolvi relatar a tomada, a perda de Porto Alegre e um traçado geral do destino de um dos mais famosos lideres da revolução para vocês, pois é a partir daí que quero mostrar minha visão do conflito.
Numa simples observação podemos ver que a família Lima e Silva lutou dos dois lados do conflito, por convicção não sei, por sempre a família ganhar também não sei, mas nesta história temos muito deste fato, até nos postos de soldados rasos. Sempre um membro da família de um lado e outro do outro lado.
A revolução praticamente foi fomentada pelos elevados impostos que o império cobrava pelo charque gaúcho, observem que sempre os impostos são decisivos na história dos povos, foi no tempo de Cristo e sempre será.
Quanto aos ideais republicanos foram trazidos pela Maçonaria sulista e surgiram porque nos Estados Unidos e na França era inerente se implantar uma república que parecia justa para o povo e era a oportunidade dos “Coronéis de Fazendas” assumirem o poder e ocupar o lugar do império no mando das ações políticas e retarda a abolição da escravatura.
O império precisava de muito dinheiro para sustentar e pagar as dívidas contraídas pelo Reino Unido e como conseguir fazer isto? O imposto sempre foi à resposta dos preguiçosos que nunca arregaçaram as mangas para trabalhar e desenvolver a colônia escrava que trabalhava para os luxos da corte.
Na sequência dos fatos selecionados vocês podem observar que um funcionário corrupto a serviço do governo que o pagava decidiu sozinho o destino da Revolta dos Farrapos quando deixou os militares imperiais fugirem da prisão logo após a tomada de Porto Alegre pelos revoltosos. Tem historiadores que dizem que o carcereiro era um simpatizante do império. Isto para mim não importa, pois de um jeito de outro ele se corrompeu numa função pública a qual deveria executar com lisura .
São coisas bem marcantes na história do Brasil ter sempre alguém ganhando para proteger alguém da família, não ter ideias formadas e buscar imitar outros povos sem sequer adequar os regimes ou as ideias ao povo brasileiro, acima de tudo não ter opinião própria como um todo e simplesmente copiar o que é feito em outros lugares e por outros povos.
A corrupção seja de forma se apresente é marcante nas decisões do Brasil há mais de 5 séculos. Isto nos reporta ao tempo do descobrimento da Ilha de Vera Cruz.
Depois de tudo e da perda de Porto Alegre, valeu apena manter uma revolução que custou milhares de vida? Vale apena comemorar a tomada de uma cidade que se perdeu em menos de um ano?
Para mim não vale a pena, o que vale apena é relembrar e homenagear todos aqueles cidadãos que deram suas vidas em prol de algo que acreditaram ou eram submetidos por servidão ou escravidão.
Os ideais farroupilhas originais logo se esvaziaram, pois sem Porto Alegre e o porto desenvolvido da cidade os revoltosos se aliam a Davi Canabarro querendo ter uma república maior do que a sonhada.
A marinha farroupilha não foi além de Laguna, pois as tropas e marinha imperial avançavam para o sul varrendo tudo o que encontravam.
O Exercito Imperial quando retomou o território da província de São Pedro, saqueou e confiscou os bens dos cidadãos gaúchos e numerosas famílias perderam tudo o que tinham, tudo foi devastado e nem os sonhos restaram, só o orgulho de terem morrido por algo que não souberem conquistar.
Convido a todos a ter uma leitura sobre a história do Brasil e a história de seus estados e acima de tudo partilhar suas opiniões.
Acredito que isto vai ajudar-nos a compreender muito bem o momento atual que vivemos no Brasil.






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